DTM e enxaqueca: quando vem da mandíbula.
DTM e cefaleias primárias (enxaqueca, tensional) coexistem em até 55% dos casos crônicos. Tratar a DTM frequentemente reduz frequência e intensidade das crises — mesmo em enxaqueca genuína.
Trigêmeo une os dois mundos
O nervo trigêmeo inerva a face, a musculatura mastigatória e as meninges — as membranas que envolvem o cérebro e são a "origem" da enxaqueca. Estimulação persistente do trigêmeo pela DTM crônica pode sensibilizar o sistema, reduzindo o limiar para crises de enxaqueca em quem já tem predisposição.
Não é que DTM cause enxaqueca. É que DTM ativa um sistema já sensível, aumentando frequência e intensidade das crises.
Sinais de que a mandíbula participa
- Dor de cabeça ao acordar, com dor mandibular.
- Enxaqueca temporal (nas têmporas), com sensibilidade à palpação do músculo temporal.
- Aumento de crises em períodos de estresse ou bruxismo intenso.
- Dor cervical associada à enxaqueca.
- Melhora parcial das crises com relaxante muscular ou compressa nas têmporas.
- Padrão hemicrânico ligado ao lado da DTM.
Trabalho conjunto — dentista + neurologista
O tratamento é integrado: neurologista mantém a farmacologia de enxaqueca (abortiva e profilática); a odontologia entra pra tratar a DTM que sensibiliza. Placa oclusal quando indicada, fisioterapia, ajuste de sono, cannabis terapêutica em casos selecionados. É comum haver redução significativa das crises quando os dois componentes recebem cuidado.