Dor orofacial crônica: quando ninguém encontra a causa.
Neuralgias, dor persistente após canal ou implante, boca ardente, dor facial idiopática, cefaleias com origem na face. Quadros que exigem escuta clínica dedicada — nunca são "psicológico" ou "falta de causa".
Dor orofacial vai além do dente e da mandíbula
Dor orofacial é um campo específico dentro da odontologia que se ocupa das dores da face — musculoesqueléticas, neuropáticas, neurovasculares e psicossomáticas — que não têm origem em cárie ou infecção dental óbvia. É onde a odontologia encontra a neurologia.
A característica comum desses quadros: o paciente já passou por vários profissionais. Fez tratamento de canal em dente hígido, extraiu por causa da dor, tentou antibiótico, foi ao neurologista, ao otorrino — e a dor continua. Frequentemente ouviu "não é nada" ou "é emocional".
Dor crônica sem lesão visível não é ausência de causa. É uma causa que exige um outro olhar.
Condições que atendemos
Neuralgia do trigêmeo
Dor em choque no rosto, súbita, breve, disparada por toque leve, escovar dentes, mastigar, vento. Uma das dores mais intensas descritas na literatura médica.
Neuropatia trigeminal pós-traumática
Dor persistente após cirurgia dental, extração, implante ou canal. Ardência, queimação, formigamento persistente no local do procedimento.
Dor facial idiopática persistente
Dor contínua, mal localizada, sem gatilho claro, sem alteração em exames. Antigamente chamada "dor facial atípica" — hoje reconhecida como entidade específica.
Síndrome da boca ardente
Ardência ou queimação na boca (língua principalmente) sem lesão visível. Mais comum em mulheres na perimenopausa e menopausa.
Dor no dente sem cárie
"Dente doendo" sem achado radiográfico. Frequentemente é DTM referida, neuralgia ou dor odontogênica atípica.
Cefaleias associadas à face
Enxaqueca com componente orofacial, cefaleia tensional, cefaleias autonômicas trigeminais. Diagnóstico diferencial cuidadoso.
Diagnóstico é o tratamento — em 60% dos casos
Muitos pacientes com dor orofacial crônica melhoram significativamente só de terem o diagnóstico correto — porque param de fazer tratamentos que não vão resolver e passam a receber os que vão. Um plano típico envolve:
- Farmacologia dirigida — antidepressivos tricíclicos, ISRSs, anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina, carbamazepina) em doses de dor, não de depressão ou epilepsia.
- Cannabis terapêutica — boca ardente e neuropatia trigeminal são cenários com evidência emergente de benefício.
- Fisioterapia orofacial — quando há componente musculoesquelético.
- Bloqueios anestésicos — diagnósticos e terapêuticos em alguns quadros neuropáticos.
- Integração multiprofissional — neurologista, otorrino, ginecologista (para boca ardente perimenopausa), psicólogo especializado em dor crônica.
Novo tratamento dental sem indicação clara. Extração ou canal "para tirar a dor" em dente sem sinal claro de patologia. Cirurgia neurológica precoce em neuralgias que ainda não tentaram farmacologia adequada.
Vive com uma dor que ninguém explica?
Uma consulta com foco em dor orofacial pode fazer diferença — mesmo que você já tenha visto vários profissionais.
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